Aqui vai uma homenagem aos amigos da pelada...
DIGA NÃO AO XAROPE
Era uma pelada de sábado como outra qualquer, não fosse a chuva que quase nunca aparece no Betânia Trafford. Tudo corria na mais completa normalidade. Eu fazia meus gols, William errava os seus, Neymar driblava calado, Vovô-Garoto machucava o braço, Higuita fazia suas defesas e Rogério tentava quebrar algumas pernas. De forma discreta, sem esquema de segurança, Messi apareceu por lá e bateu sua bolinha. E como de costume, Gustavo “O Gordo” não se agüentava em pé, pedindo falta a cada lance, enquanto Gustavo “O Grande” não se agüentava calado, intimidando seus adversários com ameaças de agressão física. E o Júnior... bem, o Júnior, como sempre, não fazia nada. Assim começou e assim terminou a pelada daquele sábado.
Coletes ao chão, água, Gatorade, banho frio... e demos início ao churrasco. Foi contratado som profissional. A cerveja estava trincando, a carne de sol fora importada do Norte e o samba era da melhor qualidade – sem falar na farofa, maravilhosa. O clima era perfeito e a turma era só alegria. O papo corria movido aos sorrisos e gargalhadas, e todos os momentos da excursão feita ao sertão norte mineiro eram lembrados por todos – menos pelo William, Bomba e Wendell. Após várias queixas comuns relatando dores de cabeça, Neymar gentilmente distribuiu comprimidos à turma.
E já no início da tarde os maus presságios acenavam de longe. Inesperadamente, a Renata apareceu, furiosa, para tirar daquele meio o Goiano. O Goiano se foi. Minutos depois, Vovô-Garoto deixa a festa para se juntar aos seus colegas do fã-clube “U2 é Tudo”, e ensaiar seus novos passos de dança. Pouco tempo depois, minutos antes de esconder uma peça de carne na bolsa, eis que Rogério recebe triste uma ligação da Luciana, que ordena o imediato retorno do mesmo à sua casa. Claro, ordem cumprida. E assim, um a um, a turma foi deixando a farra: Cristiano, William, Messi, Ricardinho, Ratão, Bomba, Atilla, Bracim, Salsicha e Pedro. Por lá, dizem, ficaram apenas os que tem algum comando em casa.
E eis que começa a saga do xarope. Eu, que havia bebido pouco mais de dois copos de cerveja, mas que sou admirador das bebidas destiladas, vi Gustavo “O Gordo” pôr sobre a mesa uma garrafa de whisky Red Label – o qual as más línguas dizem ser falsificado. E para não fazer desfeita, tomei pouco mais de duas doses do whisky. O papo continuava. Ao perceber a minha tosse, Neymar (sempre ele, prestativo), pegou no carro o maldito xarope. Me orientou a bebê-lo, sem considerar que naquele momento eu já havia consumido um pouco de bebida alcoólica. Bebi. A reação química foi imediata.
Deste momento em diante me lembro de pouca coisa. Me lembro da chuva que caía forte, e eu indo embora de carona com Gustavo “O Grande”. Me lembro que dentro do carro ele me olhava esquisito, com um sorriso estranho. “Então, onde você mora?” perguntou com cara de tarado. “Aqui mesmo está bom pra mim”, eu disse desesperado. Eu tentava sair do carro, mas ele não deixava. Tentei ganhar tempo, não falei mais nada. Foram longos os minutos de pânico, até que, malandramente, liguei para a minha esposa. Intimidado, talvez com medo de ela chamar a polícia, ele me levou rápido para a minha casa. Acordei no domingo sem qualquer dor de cabeça ou tosse, e o gosto de remédio durou na boca até a terça-feira seguinte. Mesmo assim, jurei que nunca mais em minha vida voltarei a beber xarope.
2 Já comentaram:
Guilherme adorei seu blog!!!! Cada detalhe vale a pena ler!!!!! morri de rir!!! No próximo conto do churrasco tem que falar da minha comidinha que faço com tanto carinho para os marmanjos!!!!!Bjinhos sempre vou passar por aqui!!!!!!Depois fala para a Vanessa que tenho uma blog de moda, mas começei esses dias!!!
www.ludmillafernanda.blogspot.com
Olha a Ludmilla forçando a amizade depois da "Feiura" feita no churrasco da turma. Lamentavel.
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