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29 setembro 2008

Primeira Crônica

Como diria um querido (e gordo) amigo meu:

ENTÃO...

Então, eu começo essa brincadeira revelando a todos uma mania que eu tenho: Escrever.
Há uns quinze anos atrás, talvez como válvula de escape para a minha timidez (acreditem, eu era ainda mais tímido que hoje), descobri um certo prazer em pôr no papel coisas que eu não queria falar. Pensei em utilizar um diário, mas fiquei sabendo que era coisa de viado, desisti. Juntou-se a essa mania o gosto pela leitura. Depois, o tempo foi passando, a timidez esvaindo-se... me tornei um Falador! Mas não abandonei o gosto por essa mania, tampouco me tornei melhor escritor que leitor. Embora tenho ousado ao ofício, descompromissadamente, leio muito melhor que escrevo. Como a solidão me acompanhará bastante nessa nova fase da minha vida, me recorro ao bom e velho teclado do meu Lentium.

A idéia é postar uma crônica por semana, sem respeitar a ordem cronológica dos fatos relatados. Comentários diversos sobre assuntos diversos serão postados a qualquer hora, a qualquer dia.

Como introdução, preparei uma crônica para tentar explicar a razão de ser desse Blog. Aí vai:

EIS QUE SURGE O MEU BLOG

Cada lembrança guardada, dos cantos, das quinas, das festas, das palavras, dos risos e das lágrimas é uma página da história de cada pessoa. Aqui contarei ‘causos’ de minha estrada percorrida até aqui. Fatos diretamente ligados a mim, outros dos quais fui meramente expectador e mais alguns dos quais não vi, nem vivi, apenas ouvi. Momentos de tristeza e momentos de alegria, todos contados com o bom humor que me é peculiar. Humor que, por algumas vezes, não conseguiu conter as lágrimas que caíram sobre as mãos registradoras dessas mesmas palavras.

Dei preferência a uma linguagem simples, coloquial (pois é a única que tenho!). Aprendi que a “crônica” é um gênero que oscila entre a literatura e o jornalismo, resultado da visão pessoal, particular e subjetiva de quem relata algo ante um fato qualquer, colhido no cotidiano. Conhecida como “literatura de bermuda” – acho oportuno informar (aos pobres incultos) que um homem chamado Joaquim Maria Machado de Assis praticamente inventou esse gênero – é uma forma graciosa de captar um lance curioso, um momento interessante, triste ou alegre. Pois bem, carrego a pretensão discreta de dizer coisas sérias com humor, sensibilidade, crítica, e às vezes, tentando fazer soar poesia a coisa mais banal e insignificante aos nossos olhos.

Trarei lembranças por vezes repetidas no almoço de domingo, nas tardes de cerveja gelada – antigamente na cozinha aconchegante da nossa velha casinha, e atualmente, na nova área de lazer da casa nova – e nos botecos por onde andei nesses poucos anos de vida boêmia pós-moderna.

Saudade: do Latim Solitate, com influência do Saudar: Lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir.

A saudade é o grande motor dessa brincadeira toda. Ela é a grande responsável pela busca das memórias preciosas que às vezes se escondem atrás das pilhas de informações despejadas diariamente em nossa cachola, frutos da correria do nosso dia-a-dia. Pois são memórias simples, muitas quase apagadas. Como do dia em que ficamos parados numa blitz em plena mata atlântica, vendo, desesperados, papai peitar a polícia Paraense. A do dia em que a Joicy (minha irmã) foi sutilmente estimulada a engolir um cigarro, com bituca e tudo. Ou a do dia em que nosso amigo Rogerinho Paraná foi perversamente trancado em um grande aquário no Rio de Janeiro.

Essas lembranças, por mais singelas que sejam, nos fazem olhar para trás e sentir orgulho de nossa história. E fazem do registro desses momentos algo prazeroso e divertido de se dedicar. As lágrimas da saudade são doces e o sabor é especialmente sentido pelas pessoas que, de alguma forma, se tornaram personagens vivos destes contos que serão contados (vale ressaltar que "conto" é um outro gênero diferente da "crônica", e o autor [eu] sabe [sei] disso! Chamemos aqui de conto, como bons mineiros, qualquer coisa contada, ok?).

Sendo assim, deixo para cada texto seguinte a missão de convencer a todos os amigos leitores, parafraseando obliquamente meu querido Poetinha: A tentar fazer da vida algo infinito enquanto dure. A ver nas pequenas coisas, nos momentos mais singelos e nos sentimentos mais nobres a verdadeira essência da razão de ser de todos nós. Eis a razão de ser deste Blog: Emocionar, mostrando uma visão que vai além dos fatos. Mostrando por outros ângulos o sinal de vida que diariamente deixamos escapar. Estes textos serão, para mim, o reviver de lágrimas, sons, aromas, abraços e sorrisos. Pois como disse o poeta: “As coisas findas, muito mais que lindas, estas ficarão”.