"Estou vivo agora, ainda que eu prefira ter nascido noutro tempo". Francesco di Petracco - 1330
Desde que me proclamei artista (comecei pela pintura, não pela escrita), ousei definir-me um “pessimista”. E logo fiz questão de deixar-me claro que seria mais do concreto que do abstrato. Claro, também sonhei nas linhas de Drummond, mas fui movido a Bandeira até aqui. Só assim, triste, sentado à "máquina", ouvindo meus sambas, é que me sinto forte para levar esse mundo nojento do jeito que a vida quer.
A verdade é que a vida me atrapalha a fazer o que gosto. E quanto mais a vida parece boa, mais me emputeço com a incoerência nossa de cada dia. O que vale mais, o romantismo ou a vaidade? O que importa, parecer ou ser? Ora, se o negócio é ser feliz, porque não largamos essa merda de lugar, cheio de televisão, fumaça e falsidade, e vivemos na roça?
Ei de rir ou de chorar das maravilhas da minha geração? Pobre Deus-marketing onipresente, desafortunadas gostosas de photoshop, pródigos escritores de cento e quarenta letras, miseráveis piadistas em tempo integral. Malditos leitores analfabetos. Miseráveis policiais do politicamente correto.
Nasci na geração errada. Salve o bolero. Salve a Literatura, o torresmo e o boteco raiz.
Ok, nem tudo são espinhos nesse jardim mal cuidado que tanto piso. Daqui também retiro uma flor todos os dias para dar à minha amada. Esse jovem velho que chora, luta! Corre sobre a realidade, inconscientemente movido à incessante vontade de abraçar o mundo. Mas lamenta, que, no cômputo geral, esse mundo de faz-de-conta tem dado um cacete na realidade.