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02 dezembro 2013
Sorriso de Filho pequeno
Não há nesse mundo melhor remédio para Pai que sorriso de Filho. Do sorrisinho discreto, daquele que repuxa de lado a boquinha ainda fechada, ao sorriso largo, com a bocona aberta prestes a morder o Pai, todos são milagrosos. E causam um vício deveras saboroso. Os olhinhos se fecham quase por completo, e da fresta que fica, irradiam uma luz branca que clareia a alma inteirinha do Pai bobão. A luz que vem, vertiginosa, espanta os bichos feios da vida que por lá esvoaçam, fazendo d’alma do Pai um palácio vistoso, quente, intocável, no meio de um paraíso ermo de paz.
Não há mal no mundo de Pai que resista a sorriso de Filho. Pesquisas sagradas revelam ainda que quanto menor o Filho, maior o poder do sorriso. Pai que ganha sorriso de Filho pequeno ao anoitecer, tem garantia de sono sereno e profundo, além de bons sonhos. Já o Pai que ganha sorriso de Filho pequeno ao amanhecer, tem chance zero de morrer de qualquer mal, embora, claro, há Pai que desejaria que o mundo acabasse naquele exato momento, para que morressem logo juntinhos, ali, daquele jeitinho, abraçados, com a alma eufórica do Pai toda iluminada, e aquele sorriso gostoso parado no tempo. Pobre Pai inquieto, ele sabe que os sorrisos são eternos, mas que logo deixarão de ser só seus.
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