Dia desses li, não sei aonde, um texto da minha querida
Carol Bensimon em que ela diz que a Literatura é a coisa mais transgressora
dos dias de hoje. Me lembrei disso hoje no fim da tarde, quando parei no
semáforo da Senhora do Carmo e fiquei ali, observando, no ponto de ônibus ao meu lado, várias pessoas
cansadas. Algumas de pé. Todas no celular. Ninguém olhava para o céu ou para o trânsito. Ninguém olhava o asfalto quente, sofrido,
cansado do peso dos carros e da vida. Ninguém pensava na vida, eu acho.
Esse é o nosso mundo. Você não pensa. Não dá tempo. E no que te sobra, você se distrai. Sempre. Apressadamente. Você não formula
mais frases, copia e cola. Não tem uma ideia, repete as prontas. Não conversa mais de dois minutos ao telefone com um amigo. Não
senta na porta de casa. Não vai a pé à padaria. Não visita suas tias. Não fecha os olhos para ouvir uma música.
E nesse seu mundo corrido, a minha Literatura, com suas fileiras eternas de folhas e palavras sem pressa, é realmente um dedo médio levantado para tudo isso à nossa volta.
Nenhum comentário:
Postar um comentário