Só agora tomei conhecimento do que disse (escreveu) o Jornalista Ricardo Freitas, dias atrás, sobre o famigerado slogan com a qual foi batizada nossa Montes Claros: “ A cidade da arte e da cultura”. Deve mesmo ser “cultural”, no sertão norte-mineiro, a arte de se denominar “capital” disso ou daquilo. No nosso sertão encontram-se muitos casos super interessantes de “capital mundial” disso ou daquilo outro.
Se tais slogans são criados por políticos-governantes ou por próprios artistas da terra, é certo que todos o fazem com a melhor das intenções. Mas mesmo que as denominações cumpram o seu papel de divulgar positivamente o município pelo mundo afora, acabam servindo, discretamente, de mera ludibriação do povo que o habita.
Nos enchemos de orgulho, os montes-clarenses, quando nos proclamamos originários da “cidade da arte e da cultura”. E assim, iludidos pela beleza do slogan, ou talvez por pura ignorância às diversas formas de manifestações culturais e artísticas que embelezam o universo, desconhecemos – ou despercebemos – o verdadeiro sentido de suas palavras.
Pois na nossa “cidade da arte e da cultura” não existe um único teatro, um bom museu histórico nem um estádio de futebol (digno de ser assim chamado). O descaso à cultura e aos nossos artistas é praticado por todos no sertão norte-mineiro. Nem a classe política, encarregada de “providenciar” os palcos de celebração dessas manifestações, nem nós, cidadãos, estamos nos lixando para isso tudo.
É mesmo uma pena ver um evento tão especial como o Psiu Poético ser praticamente ignorado por grande parte da população. Mas é compreensível. Poesia é um perfume sentido por poucos. Terrível mesmo é ver nosso folclore se arrastando day-by-day, mesmo ancorado num grande festival internacional. Um festival como este deveria estar marcado na agenda cultural de todo o país, sem que nenhum brasileiro filho de Deus o desconhecesse. Montes Claros teria arte, cultura e turismo na mesma panela. Aí era só sair pro abraço.
O futebol dispensa comentários. É difícil encontrar uma cidade do porte de Moc City que não tenha palco (leia-se: estádio) para celebrar a maior manifestação artística do povo brasileiro. Mas o Mocão "vai sair" gente. Agora é sério. Não riam!
E vamos em frente, exalando nosso orgulho. Quem sabe todos nós, juntos com nossos queridos governantes (estes sempre interessadíssimos nas eleições que sempre se aproximam), façamos, um dia, ser verdade o virtuoso brado proclamado por todos nós?
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